A Rainha Guerreira Volume 1 – Capítulo 3: Luz e Sombra – Parte 3

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Prólogo A Rainha Guerreira Volume 1: Luz e Sombra

Romance original em chinês por: 御 我 (Yu Wo)


Capítulo 3: Luz e Sombra – Parte 3

Tradução: Mariana

Revisão: Anny

Capa Vermelha olhou fixamente em branco. A Balada da Rainha Guerreira que ele acabara de ouvir não era a mesma que ouvira antes. A atitude do bardo também era muito estranha. Embora ele tivesse mantido a cabeça baixa o tempo todo e não tivesse olhado para Capa Vermelha, as constantes perguntas levantadas pela música pareciam quase como se estivessem sendo feitas a ele.

Capa Vermelha lançou um olhar para o bardo e pronunciou.

– Esta canção parece horrível. Se você escolher cantar esta peça hoje, não me culpe quando for atingido por alguém. 

– É assim mesmo?

O bardo coçou o nariz e falou inocentemente:

 – Mas LL me disse que eu tenho que fazer essas perguntas toda vez que chego a algum lugar novo! Se a Rainha Guerreira por acaso me ouvir por algum golpe de sorte e estiver disposta a me dar uma resposta, LL disse que trocaria a harpa que sempre carrega consigo por essa resposta e também me exoneraria de seu decreto de que devo sempre cantar a Balada da Rainha Guerreira por pelo menos três dias toda vez que chego a um novo local.

Quando ele terminou de falar, o bardo olhou para a Capa Vermelha e perguntou:

 – O que você acha? Por que a Rainha Guerreira queria partir? É porque o Rei Sagrado não a amava, então ficar com um amante que nem mesmo a amava era muito doloroso de suportar? Ou será que o Rei Sagrado a forçou a sair? Ou talvez seja porque a Rainha Sagrada deliberadamente tornou as coisas difíceis…

Capa Vermelha interrompeu os infinitos delírios do bardo e disse de uma maneira desagradável:

– Bardo viajante! Você está simplesmente pensando demais no assunto. Por tudo que você deve saber, a Rainha Guerreira pode ter simplesmente sentido que os dias que passaram eram muito chatos e os abandonados por sua própria vontade.

Ele não esperava que Capa Vermelha respondesse realmente às suas perguntas. O bardo reuniu sua coragem e pressionou ainda mais.

  Se a razão pela qual ela saiu foi realmente como você disse, porque sua vida era muito chata, então o que exatamente ela estava olhando?

Capa Vermelha respondeu friamente: 

– Como eu deveria saber?

O bardo soltou um “oh” e ficou bastante desapontado, mas não ousou fazer outra pergunta à Capa Vermelha.

Os dois viajantes caminharam em silêncio por um tempo. De repente, Capa Vermelha começou a falar.

– Pode ser possível que ela estivesse olhando para o guerreiro e o clérigo, seus antigos companheiros, mas sua mente estava relembrando as memórias da dor e do sofrimento da guerra. E então ela percebeu que o final feliz que ela tinha imaginado acabou se tornando bastante enfadonho.

Enquanto o bardo ouvia a opinião de Capa Vermelha, ele ficou inicialmente surpreso, mas enquanto pensava cuidadosamente sobre o que Capa Vermelha havia dito, ele não pôde deixar de proclamar:

– Algumas pessoas nascem adequadas para lutas sem fim! A felicidade de que você fala não é obtida no final da guerra, mas no processo de cada batalha travada.

Ao ouvir isso, Capa Vermelha olhou o bardo nos olhos e permaneceu em silêncio.

O bardo parou de andar e começou a rir. Capa Vermelha também parou e o questionou friamente: 

  Do que você está rindo?

O bardo deu um grande sorriso e disse:

 – Acho que não preciso mais cantar a Balada da Rainha Guerreira. Você está disposto a ir comigo para vê-lo?

– Quem?

O bardo disse em um tom casual:

 – Claro, seria Lorenzo Louis. Ele é meu professor e também a pessoa que você apelidou de ‘LL’…

– É você de novo! E pensar que você ousaria permanecer nesta cidade. Eu não lhe havia dito para você se perder ontem?!

O bardo ficou atordoado. Ele se virou para ver a mesma equipe de patrulha do dia anterior. O capitão da patrulha, que era mais do que uma cabeça mais alto que a média das pessoas, estava olhando ferozmente para o bardo. Ele também havia trazido cinco membros de sua equipe, que estavam caminhando diretamente em direção ao bardo.

À medida que se aproximavam, o capitão da patrulha teve uma imagem muito mais clara do rosto do bardo. Ele repentinamente percebeu que o ferimento no rosto do bardo já estava perto de ser completamente curado.

Não fomos implacáveis o suficiente ontem? Ele se sentiu um pouco em dúvida.

Que sorte a minha… Não acredito que topamos com a patrulha antes mesmo de chegarmos a uma taverna. O bardo compreendeu melhor como sua sorte poderia ser terrível.

Agora, porém, não é o mesmo do que da última vez! Capa Vermelha está comigo. Ninguém se atreveria a pôr a mão em mim! Sim… Se eu olhasse desta maneira, acho que minha sorte não é tão terrível assim! Seguindo esse pensamento, o bardo mais uma vez encarou sua vida com um otimismo transbordante.

– Tch.

O capitão da patrulha parou por um momento e então se virou para gritar com sua equipe.

– Agarre esse bastardo delirante e traga-o para dentro. Estamos voltando para relatar nossa missão de qualquer maneira.

Depois de receber a ordem, dois membros da equipe imediatamente avançaram e agarraram o bardo sem esforço.

Na verdade, o bardo, que nem mesmo tinha forças para amarrar um frango, não resistiu de forma alguma. Ele olhou para Capa Vermelha com olhos arregalados, antecipando ansiosamente que tipo de ataque o último usaria primeiro. Um punho para enviar duas pessoas voando simultaneamente? Ou será mais legal dar um chute neles?

Como era muito difícil ignorar o olhar fervoroso do bardo, o capitão da patrulha finalmente percebeu a presença da Capa Vermelha. Ele perguntou friamente: 

– Você é seu companheiro?

– Não, eu não o conheço, – Capa Vermelha respondeu com indiferença.

Ou talvez seja um ataque direto com sua lâmina para parti-los em dois! LL disse antes que seu temperamento sempre foi bastante curto… Espere! O que Capa Vermelha acabou de dizer?! A expressão que o bardo tinha em seu rosto mudou instantaneamente.

– Um cara sensato, não é! Leve este homem embora.

O capitão da patrulha deu suas ordens e os dois patrulheiros imediatamente arrastaram o bardo para longe.

Enquanto era arrastado para longe, o bardo se virou freneticamente para gritar:

 – Espere um segundo! Capa Vermelha! Por que você não está me resgatando?

Mas ele só conseguiu ter um breve vislumbre de uma capa vermelha quando sua cabeça foi puxada com força para trás no lugar pelos dois que estavam restringindo seus movimentos. Isso quase torceu seu pescoço e doeu tanto que cada parte de seu rosto se contraiu em agonia.

Neste ponto, o capitão da patrulha estava cheio de suspeitas. Ele olhou para cima e para baixo para Capa Vermelha e sem rodeios ordenou: 

– Remova seu capuz imediatamente!

Ao ouvir isso, uma centelha de esperança foi reacendida no bardo. Se realmente fosse ela, ela definitivamente não iria simplesmente obedecer ao que os outros lhe dissessem para fazer… No entanto, no segundo seguinte, o capitão da patrulha cuspiu zombeteiramente:

 – Hmph! Então você realmente é um cara. E pensar que você era mulher, com sua figura minúscula e sua capa vermelha… Que chato. Vamos!

Um homem? O bardo congelou. Como isso é possível? Capa Vermelha não é ela? Capa Vermelha não é…

A Rainha Guerreira?

Ele tentou desesperadamente se virar para dar uma olhada, como se sua vida dependesse disso, mas os dois patrulheiros mantiveram veementemente sua cabeça presa no lugar, impedindo-o de olhar ao redor por sua própria vontade.

Apenas um olhar seria o suficiente. Deixe-me só dar uma olhada… Capa Vermelha! Você é a Rainha Guerreira ou não?

 

 

Empunhando uma lâmina, gostava de usar a cor desenfreada do vermelho, de tamanho pequeno, tem uma voz tão baixa que lembra a de um homem, pupilas negras de fogo… Cada detalhe se encaixa exatamente com os traços declarados pelo Professor Louis. Capa Vermelha também está claramente interessado na Balada da Rainha Guerreira e no apelido LL. E ainda por cima, o que o Capa Vermelha disse antes…

Deve ser justo concluir que Capa Vermelha é de fato a Rainha Guerreira!

Não importa o que o bardo pensasse sobre isso, Capa Vermelha simplesmente tinha que ser a Rainha Guerreira. Mas por que diabos o capitão da patrulha disse que ela é um homem?

– Perdoe-me, mas eu tenho uma pergunta!

O bardo se virou para perguntar aos dois patrulheiros que o seguravam. Considerando a posição incômoda em que se encontrava, com os pés levantados do chão, sua postura e maneira de falar eram incrivelmente educadas. Ele perguntou: 

– A Rainha Guerreira é mulher, certo?

Os dois membros da patrulha ficaram pasmos. Eles pareciam extremamente confusos quando responderam: 

– Do que diabos você está falando?

O bardo disse apressadamente:

 – Ou seja, a Rainha Guerreira que é a segunda esposa do Rei Sagrado e comandante do exército! Ela realmente deveria ser mulher, certo? Ou haveria alguma chance de que ela seja do sexo masculino?

Os dois ficaram tão atordoados que suas compleições mudaram. Eles rosnaram: 

– V-você ousa caluniar o Rei Sagrado?!

– Eu não o caluniei! 

O bardo ficou muito alarmado. Ele rapidamente acrescentou:

– Eu só estava perguntando sobre a Rainha Guerreira. Eu não falei mal do Rei Sagrado!

– Você… 

Um dos membros da patrulha ficou tão chocado que nem conseguia falar.

O outro membro da patrulha respondeu de forma diferente. Ele gritou diretamente: 

– Bobagem! Claro que a Rainha Guerreira é mulher! Você honestamente acha que o Rei Sagrado aceitaria um homem por esposa? Que blasfêmia!

Oh! Isso também faz sentido. O bardo acenou com a cabeça em compreensão.

– Eu entendo agora. Obrigado pela sua explicação. Pensando bem, se a Rainha Guerreira fosse do sexo masculino, o Professor definitivamente teria esclarecido isso para mim.

Ao ouvir isso, um dos membros da patrulha ergueu o punho. Ele esmurrou o bardo enquanto ele continuava a repreender:

 – Você ainda ousa falar! Você só está pedindo uma maldita surra! Você ousa dizer que a esposa do Rei Sagrado é um homem!

O outro membro da patrulha correu para interromper as ações de seu parceiro. Ele insistiu meticulosamente:

 – Vá com calma! Esse cara provavelmente tem alguns parafusos soltos na cabeça. Além do mais, tendo em mente o que está reservado para ele mais tarde, não há necessidade de exagerar, certo?

Com certeza, o outro abaixou o punho em resposta às palavras de seu parceiro.

– Heh heh, suponho que você esteja certo. Afinal, não posso danificar esse rosto. Um rosto danificado não é bom para vender no mercado.

Não vale a pena vender? O bardo estava perdido em pensamentos. Então, meu rosto é realmente algo que vale a pena vender? Se eu soubesse disso antes, o teria vendido sempre que meu estômago estivesse vazio e eu não tivesse dinheiro. Eu me pergunto quanto valeria…

Enquanto ele ainda estava perdido em pensamentos, os dois membros da patrulha repentinamente o jogaram para frente com um forte empurrão. Felizmente, o bardo havia se acostumado a ser jogado por outras pessoas há muito tempo. Sem mais delongas, ele reflexivamente girou para a postura que tinha menos probabilidade de receber ferimentos. Depois de gemer por um tempo, ele prontamente se levantou do chão, olhou em volta e ficou chocado ao perceber que aquele lugar era uma cela de prisão.

A cela já continha algumas pessoas. Todas essas pessoas tinham uma aparencia horrível e mantinham a cabeça baixa. Apesar da comoção quando ele foi jogado na cela, nenhuma delas reagiu.

O bardo achou isso incrivelmente estranho. Ele examinou as pessoas ao seu redor. Para sua surpresa, cada um deles tinha uma marca no braço direito. Essa é a… marca de um escravo!

Neste momento, os dois patrulheiros fecharam a porta da cela da prisão e trancaram-na firmemente.

O bardo correu apressadamente para as barras de ferro e gritou.

– Espere! Por que vocês me trouxeram aqui? Não escolhi vender meu corpo! Eu não sou um escravo!

– Você será um a partir de agora!

O patrulheiro ficou feliz com a desgraça do bardo enquanto falava:

 – Relaxe! Com um rosto como o seu, você definitivamente chamará a atenção de muitas donas de casa ricas. Depois disso, quem sabe, talvez seu rosto fique ainda mais bonito do que agora!

– Parabéns! Ha ha ha! 

Os dois simplesmente ignoraram os protestos do bardo e deixaram a prisão enquanto gargalhavam.

– Como poderia ser assim?

O bardo foi deixado atordoado. Embora ele realmente tenha sido muito intimidado durante sua jornada, ninguém jamais foi tão longe quanto sequestrá-lo para vendê-lo. Há muito tempo desde o estabelecimento do país, o Rei Sagrado havia estabelecido regulamentos rigorosos. A escravidão só era permitida se essa fosse a vontade da pessoa que estava sendo vendida. Mesmo os pais não tinham o direito de vender seus filhos. Além disso, independentemente do preço pelo qual o escravo fosse vendido, todos os contratos expirariam em vinte anos. Depois de vinte anos, o escravo poderia pedir que fosse libertado, a menos que estivesse disposto a se vender mais uma vez.

– Me deixe sair! Não estou disposto a vender meu corpo!

O bardo gritou freneticamente:

– Você entendeu tudo errado! Eu não quero vender meu corpo!

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