Prólogo A Rainha Guerreira Volume 2: O Número é Doze
Romance original em chinês por: 御 我 (Yu Wo)
Capítulo 4: Número 4 – Cale
Tradução: Mariana
Revisão: Anny
Cale abriu os olhos e momentaneamente pensou que precisava se apressar para escapar… Então ele se lembrou de que aparentemente havia se encontrado com dois sujeitos estranhos.
Ele lutou para engatinhar ereto e inicialmente previu que receberia uma dor aguda em seu estômago. No entanto, ele não esperava sentir apenas uma leve pontada. Isso o deixou um pouco intrigado, mas a próxima coisa que viu desviou totalmente sua atenção… Além das árvores ao seu redor, também havia um lago.
Se ele se lembrava corretamente, da última vez em que desmaiou, parecia que estava em uma pousada.
Felizmente, ele também viu as costas de uma pessoa, e o cabelo dourado radiante daquela pessoa permitiu que ele soubesse instantaneamente, sem olhar para seu rosto, quem era essa pessoa ─ Silvester.
–Silvester, onde é isso?
Essa pessoa virou a cabeça para trás e, como esperado, era Silvie, que sorria de orelha a orelha. Ele disse alegremente: –Você está acordado? Estamos em uma floresta.
Cale não conseguia compreender a situação de jeito nenhum.
–Por que estou em uma floresta? Eu não estava na cidade? Vocês deixaram a cidade naquela mesma noite?
–Não foi na mesma noite! Já se passou um dia. Como precisávamos fazer uma missão e tínhamos que deixar a cidade, tivemos que trazer você também. Felizmente, você só acordou uma vez ao longo do caminho.
Já se passou um dia inteiro? Intrigado, Cale disse: –Mas não me lembro de ter acordado mais cedo.
–Porque Carol simplesmente estava ao seu lado…
Então ele me mandou outro soco? Cale se sentiu um tanto taciturno.
–Onde está aquele cara?
Cale olhou para a esquerda e para a direita, mas não viu a outra pessoa.
–Aquele cara?
Ao ver a expressão nervosa de Cale, Silvie entendeu.
–Você quer dizer Carol? Carol foi caçar porque não temos dinheiro para comprar muita comida. Oh, certo! Você está com fome, não está? Aqui, usei pão e carne-seca para ferver uma panela de sopa. Use isso para encher seu estômago primeiro. Quando Carol voltar, haverá carne para comer.
Cale aceitou a tigela que Silvie passou para ele. Havia pão e carne desfiada na tigela, e parecia que algo semelhante a leite ou queijo tinha sido adicionado. Cheirava muito saboroso e era simplesmente uma iguaria em sua opinião. Ele imediatamente ergueu a tigela com as duas mãos e começou a comer com vontade.
Em rápida sucessão, ele comeu duas tigelas. Embora sentisse vontade de comer outra tigela, ficou com vergonha de pedi-la.
No entanto, Silvie sorriu encantado. Depois de pegar a tigela, ele a encheu novamente com sopa e deu a Cale.
Depois de sua terceira tigela de sopa, Cale viu que só restava metade de uma panela de sopa. Ele realmente se sentiu um pouco envergonhado. Depois que ele devolveu a tigela, até o tom de suas palavras suavizou consideravelmente.
–Você me carregou aqui? Muito obrigado.
Ele realmente não achava que Carol o teria carregado aqui.
Silvie balançou a cabeça rapidamente, dizendo: –Não fui eu, foi Ohmeudeus.
–Ohmeudeus?
Cale piscou. –Você tem outro companheiro?
–Isso mesmo!
Quando ele terminou de responder, Silvie deu um tapinha em seu peito, dizendo: –Ohmeudeus, venha cumprimentá-lo.
Quando Cale estava prestes a perguntar, confuso, ele viu algo estranho… Uma coisa como uma bola de fluido espesso rastejou para fora da gola de Silvie, quicou duas vezes e, em seguida, mudou de uma forma plana para um objeto de formato oval, como um pão, mas parecia extremamente flexível…
Isso é um limo? Cale ficou bastante perplexo. Mas todos os limos não são verdes? Eu nunca ouvi falar de um limo dourado antes!
–Que diabos é isso?
–Ohmeudeus.
Silvie beliscou a bochecha de Ohmeudeus, em seguida, pegou um pouco de carne desfiada para alimentá-lo.
–Deus como em ‘divindade’?
Cale perguntou, sentindo-se extremamente duvidoso.
–Não, Carol escolheu este nome e disse que significa ‘oh meu Deus, o que é isso’, –queixou-se Silvie, –também achei que deveria ser deus como uma divindade!
‘Ohmeudeus‘ de ‘oh meu Deus o que é isso’ é realmente muito adequado. Cale silenciosamente concordou com Carol em seu coração.
–Você está dizendo que isso me trouxe aqui? Isso é impossível!
–Claro que é possível!
Silvie disse em um tom casual: –Oh meu Deus pode me carregar e uma pilha adicional de bagagem! Claro que é possível carregar você aqui.
É assim mesmo? Então, limos são na verdade bestas demoníacas com muita força? Cale estava meio em dúvida.
–Cale, você deveria ir tomar banho!
Silvie gesticulou para o lago enquanto ele dizia: –Da última vez, quando todo o seu corpo estava coberto de sangue, eu só ajudei a dar-lhe um simples banho de esponja. O cheiro de sangue em seu corpo ainda é muito forte. Vá tomar banho!
Cale cheirou seu corpo. Com certeza, ele não cheirava bem de forma alguma. Na verdade, foi legal da parte de Silvie apenas dizer que o cheiro de sangue era forte, quando na verdade era mais semelhante a vários fedores como sangue podre e suor misturados. Ele silenciosamente caminhou até a beira do lago, mesmo sabendo que quando as feridas em seu corpo tocassem a água, definitivamente doeria como o inferno.
–Lembre-se de remover suas bandagens!
Silvie gritou: –Mais tarde, vou ajudá-lo a reaplicar o medicamento e a colocar novas bandagens.
Cale virou a cabeça e gritou “tudo bem!” Quando ele tirou as roupas e desamarrou as bandagens, ele inicialmente esperava se ver em uma condição terrível. Em vez disso, ele ficou surpreso ao descobrir que as feridas em seu corpo já haviam formado crostas.
As feridas em meu corpo sempre foram tão leves? Cale ponderou, mas não conseguiu pensar direito.
Como as feridas já haviam cicatrizado, depois de entrar na água não doeu nem um pouco. Em vez disso, a temperatura fria da água era bastante calmante.
Embora já houvesse crosta, ele sentiu que ainda não deveria encharcar o corpo por muito tempo. Cale se lavou rapidamente e então foi para a terra, retornando ao acampamento.
Silvie primeiro passou-lhe uma toalha, permitindo que ele se cobrisse, depois tirou da bagagem uma caixa de madeira do tamanho da palma da mão dele e acenou para ele, dizendo: –Sente-se aqui, vou ajudá-lo a aplicar o medicamento.
–Que tipo de medicamento é esse?
Cale enrolou a toalha em volta da cintura, foi se sentar e disse esperançoso: –Você pode me dar um pouco disso?
–Claro que eu posso! Eu fiz usando ervas. É muito eficaz! Posso deixar você aplicá-lo, mas o Professor disse que é especialmente eficaz quando aplicado pessoalmente por mim! Então, ainda é melhor permitir que eu aplique o medicamento para você!
Inicialmente, Cale queria retrucar “que diferença há em quem aplica o medicamento?” mas ao considerar como as feridas em seu corpo haviam formado crostas em um ritmo surpreendentemente rápido, ele fechou a boca novamente e não se atreveu a objetar.
Ao aplicar o medicamento, Silvie perguntou com cautela: –Como você recebeu tantos ferimentos?
Cale disse inexpressivamente: –Desde quando a fuga vem sem ferimentos?
–Porque você estava fugindo?
Cale ficou em silêncio antes de explicar vagamente: –Com alguém me caçando, eu tive que fugir.
Ao ouvir isso, Silvie não se atreveu a perguntar mais nada, porque Cale obviamente parecia que não queria falar sobre isso, e ele simplesmente não era bom em pressionar alguém para dizer o que ele não queria dizer. Ele só conseguia se concentrar em aplicar o medicamento, mas quando estava prestes a aplicá-lo no braço esquerdo, encontrou uma marca estranha. Era uma marca, uma marca de escravo, exceto que havia vários cortes bagunçados em cima dela, como se alguém tivesse tentado freneticamente raspá-la.
Silvie sentiu seus olhos aquecerem e ele não resistiu e estendeu a mão para tocar aquela cicatriz trágica.
Cale sentiu arrepios subindo por todo o corpo e virou a cabeça para repreender: –O que você…
Ele só falou até este ponto quando viu Silvie chorando enquanto aplicava o medicamento… Tantos arrepios estavam subindo que eles poderiam atapetar o chão! O que há de errado com esse cara? Por que um homem adulto está chorando assim?
–Carol!
Naquele momento, Silvie gritou de repente: –Você voltou! Você pegou alguma presa?
–Mm.
Cale seguiu a linha de visão de Silvie e viu Carol caminhando para fora do matagal, a mão direita arrastando um veado adulto, fazendo com que parecesse tão fácil quanto arrastar um cachorrinho.
Quando ela o arrastou para o meio do acampamento, ela tirou uma cimitarra de trás da cintura e com alguns sons de “swoosh swoosh swoosh”, cortou uma das patas traseiras do veado, raspando até mesmo toda a pele de veado na superfície. Por último, ela jogou na frente de Silvie, dizendo:
–Eu não poderia acertar um pequeno. Você pode assar esta perna. Vou transformar as outras partes em charque para levar na estrada.
Embora tenha visto que os olhos de Silvie estavam vermelhos, ela não se importou muito com isso. Comparada a Cale, ela entendia Silvie muito melhor. Mesmo ao ver uma presa que seria morta e comida, esse sujeito chorava e implorava para que ela não a matasse, então ela sempre abatia a presa antes de trazê-la de volta ao acampamento para evitar que Silvie chorasse uma quantidade considerável de lágrimas e muco e a fizesse desejar muito dar um soco nele.
–Está bem, sem problemas.
Em relação às presas já morta, Silvie, por outro lado, não tinha receio de comê-la. Em pouco tempo, ele amarrou a perna traseira em uma vara de madeira e a apoiou na fogueira para assar.
Cale observou Silvie. Este já havia apoiado a perna traseira na fogueira, o que completou a maior parte do trabalho. Parecia que só precisava ser girado ocasionalmente e parecia que não havia mais nada em que ele pudesse ajudar. Então, Cale olhou para Carol, pensando em ajudar a dividir o cervo em pedaços para fazer carne seca…
Nesse momento, Carol já havia arrastado o veado para a beira do lago. Ela acenou com a cimitarra incessantemente, e o cervo passou de uma peça para duas metades e novamente para quatro peças, oito peças…
Parecia que não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar com este lado… Cale sabia que não era capaz de partir um cervo ao meio com um único corte. Ele só teve a opção de voltar ao acampamento para ver Silvie assar a carne.
Quando Carol voltou da beira do lago, sentou-se e começou a limpar as mãos, Silvie disse alegremente: –Podemos comer agora!
Depois que Silvie encheu uma tigela de sopa e entregou a Carol, ele se ocupou em rasgar a carne em tiras para comer mais convenientemente, então encheu uma tigela com carne e deu a Cale.
–Eu não preciso disso, –disse Cale educadamente, –Acabei de comer três tigelas de sopa, então não estou com muita fome…
Carol disse friamente: –Coma!
Cale imediatamente pegou a tigela, abaixou a cabeça e começou a comer a carne, sem ousar dizer uma única palavra.
–Saboroso? – Silvie perguntou em um tom esperançoso.
–Delicioso! É realmente muito bom!
Cale assentiu vigorosamente. Este não foi um mero ato de cortesia. Embora fosse apenas carne assada, sob a cuidadosa vigilância de Silvie, a carne fora assada até que a pele ficasse crocante e a carne tenra, cozida com perfeição, fazendo-o quase engolir a própria língua.
Silvie mostrou um sorriso feliz, dizendo: –Realmente? Que bom que você gostou!
Quando ele disse isso, Silvie lançou um olhar magoado para Carol.
–Carol nunca diz nada, não importa o que comamos…
No entanto, Carol continuou sem falar. Silvie já fazia as coisas devagar o suficiente. Ele cozinhava uma panela de sopa por duas horas, assava um pedaço de carne por uma hora… Se eu fosse elogiar sua culinária, da próxima vez ele cozinharia com ainda mais cuidado… e também seria ainda mais lento com isso.
Depois que os três comeram e beberam à vontade, Carol meio que deitou-se no chão e segurou Ohmeudeus em sua mão, acariciando e afagando suavemente.
Ohmeudeus está tremendo? Cale observou em silêncio enquanto os anéis ondulavam repetidamente pela superfície do limo dourado. De repente, ele sentiu que o cervo que havia se transformado em carne seca não era tão lamentável. Pelo menos teve uma morte rápida.
Na esperança de obter uma resposta, Silvie perguntou: –Cale, como surgiram as feridas em seu corpo?
Cale congelou e deu uma resposta indireta.
–As feridas são sempre causadas pelo ataque de outra pessoa. Se não, de que outra forma elas poderiam ter surgido?
–Cale, então quem estava perseguindo você para matá-lo?
Silvie tentou muito persuadi-lo: –Conte-nos os detalhes da situação. Talvez possamos ajudá-lo!
Ninguém seria capaz de me ajudar de jeito nenhum! Cale abaixou a cabeça e riu com força, mas ao erguer os olhos novamente, viu o par de frias pupilas negras de Carol olhando para ele. Ele imediatamente congelou mais uma vez.
Naquele momento, Silvie insistiu em dizer: –Sério! Nós podemos ajudar você.
Cale acenou com a cabeça rigidamente. Embora tivesse tanto medo de Carol quanto um rato teria de um gato, por alguma razão insondável, ele tinha a sensação de que ele não seria um fardo para alguém como Carol… Ele até sentiu… Talvez meus perseguidores enfrentem uma catástrofe iminente?
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